Einstein

Pós-graduação em Dor

O vídeo acima é um trecho da entrevista do Professor Clóvis de Barros Filho ao programa Pânico do dia 24/06/2020. Ele, brilhantemente, discursa sobre o Mito da Caverna, uma metáfora contida no livro A República, de Platão.

A intenção de Platão é apresentar uma disposição hierárquica para os graus de conhecimento. Existe um conhecimento de grau inferior, que se refere ao conhecimento obtido pelos sentidos do corpo e, por outro lado, um conhecimento de grau superior, que é o conhecimento racional.

Dor é um fenômeno que marca profundamente as experiências humanas. Devemos, portanto, compreender o que é uma experiência. Ela é o conhecimento ou aprendizado obtido através da prática ou da vivência. De uma forma mais ativa, uma experiência é um teste feito de modo experimental, como os que são realizados pelos estudos científicos. Sob o ponto de vista filosófico, ela representa todo o conhecimento adquirido através da utilização dos sentidos.

O paciente é o elo mais frágil, é ele que sofre, é ele que fica limitado física e emocionalmente. Seu aprendizado sobre o significado da dor é construído por uma vivência marcada pelo manifestação de seus sentidos. Portanto, segundo os pensamentos de Immanuel Kant, filósofo do século 18, a experiência dolorosa de um paciente, embora rica de conteúdo, nasce de um juízo analítico e não de um juízo científico. Isso pode significar que ele não seja capaz de identificar e discriminar cada elemento da sua experiência. Assim, os pensamentos, as suposições e os comportamentos são orquestrados predominantemente por intuições.

Um profissional da saúde, em princípio, deve possuir um conhecimento de grau superior para conduzir sua prática. No quesito dor, deve pensar fora da caverna. Deve se aventurar em busca de ferramentas para resgatar aqueles que ainda sofrem às sombras da caverna.

Nós, amantes do manejo da dor, temos que aprender a lidar com a prática clínica, ser tão resilientes quanto os pacientes. “Aprender a fazer teatro das sombras” pode ser mais produtivo do que bater de frente com os defensores ferrenhos do status quo que habitam o interior da caverna da dor.

Tecnologias guiadas pela neurociência podem se tornar ferramentas indispensáveis para manipular a entrada aferente dos sentidos que podem desencadear uma neuroplasticidade reversa. Certamente podem representar o novo paradigma no tratamento da dor crônica.

Para assistir a íntegra do vídeo, acesse o canal do Pânico Jovem Pan