Dor Lombar Aguda

Dor Lombar Aguda

A dor lombar aguda é definida pela dor presente por até seis semanas. Pode ser sentida das seguintes formas:  dolorida, queimação, pontadas, fisgadas ou dolente, podendo ser bem pontual ou difusa.  A intensidade pode variar de leve a grave.  Pode ainda  irradiar em uma ou ambas as nádegas ou na área da coxa e quadril.

A dor lombar pode começar seguida de uma atividade extenuante ou um trauma contuso, mas muitas vezes é aparentemente sem relação com uma atividade específica. Pode ainda começar subitamente ou se desenvolver gradualmente.

.Muscular Man with Backache

Quem experimenta dor lombar aguda? 


Pelo menos 80% dos indivíduos experimentam um episódio significativo de dor lombar em algum momento de suas vidas, e 15% relatam que estão sofrendo de dor lombar. Alguns consideram o sintoma da dor lombar como parte da experiência humana.

Qual é a causa?


A fonte exata da dor lombar aguda é muitas vezes difícil de identificar. Na verdade, existem inúmeros possíveis causadores da dor, incluindo músculos, tecido conjuntivo, ligamentos, cápsulas articulares, cartilagens e vasos sanguíneos. Estes tecidos podem ser estirados, tensionados, distendidos ou torcidos. Além disso, lesões anulares (pequenas lesões que ocorrem na camada externa do disco intervertebral, o ânulo fibroso) podem iniciar a dor severa. Mesmo que o dano real dos tecidos seja menor, e provavelmente repara rapidamente, a dor experimentada pode ser bastante forte.

Independentemente de qual tecido tenha sido inicialmente irritado, ocorre uma cascata de eventos que contribui para a experiência da dor. Numerosas substâncias químicas são liberadas em resposta à irritação do tecido. Essas substâncias estimulam as fibras nervosas sensíveis à dor próximas à lesão, resultando na sensação de dor. Alguns desses produtos químicos desencadeiam o processo de inflamação, ou inchaço, que também contribui para a dor. Os produtos químicos associados a este processo inflamatório liberam mais sinais que perpetuam o processo irritativo. A inflamação atribuível a este ciclo de eventos pode persistir por dias ou semanas.

A tensão muscular (espasmo) nos tecidos adjacentes pode ocorrer resultando em um “deslocamento do tronco” (o corpo se inclina para um lado mais do que o outro) devido ao desequilíbrio muscular. Além disso, pode ocorrer uma inibição ou falta de fornecimento de sangue habitual na área afetada, logo os nutrientes e o oxigênio não são perfeitamente fornecidos e a remoção de subprodutos irritantes da inflamação é prejudicada.

Quanto tempo dura um episódio de dor lombar?


A boa notícia é que, mesmo que a exata fonte da dor não seja determinada, geralmente a dor aguda diminui espontaneamente ao longo do tempo. O tecido originalmente irritado cura. Cinquenta por cento dos episódios, resolvem quase que completamente dentro de duas semanas e 80% em até seis semanas. Infelizmente, a duração e a gravidade de um único episódio não podem ser previstas com base no início, na localização da dor ou mesmo na gravidade inicial. A dor inicialmente excruciante pode se resolver em vários dias, enquanto sintomas moderados ou leves podem persistir por semanas. No entanto, até 30% dos indivíduos sofrerão dor recorrente ou desenvolverão dor persistente no futuro.

Essa dor é perigosa?


A gravidade da dor lombar é relativa. Os sintomas da dor lombar aguda geralmente são benignos e autolimitados. Mesmo um disco rompido tem uma chance de melhorar sem cirurgia. Raramente, no entanto, a dor lombar é causada por um processo mais grave, como fratura, infecção ou câncer. Isto é mais comum em indivíduos com mais de 50 anos, com história de câncer, dor intensa em repouso, febre associada, problemas médicos subjacentes, como diabetes, abuso de álcool ou uso de drogas, uso prolongado de corticosteróides ou osteoporose. A dor nas pernas, a fraqueza ou a dificuldade no controle do intestino ou da bexiga merecem uma avaliação médica imediata. Para todos os casos de dor com duração superior a seis semanas, a avaliação médica é aconselhada.

Como manejar a dor lombar aguda?


Um dos melhores conselhos para o tratamento de dor lombar aguda é permanecer ativo, conforme tolerância. Continuar a realizar atividades cotidianas pode parecer estranho, e a tendência natural pode ser manter-se em repouso e evitar atividades. No entanto, a atividade mantém o sangue e nutrientes fluindo para a área afetada, inibindo a inflamação e reduzindo a tensão muscular.

Muitos indivíduos com dor lombar percebem que podem realizar suas atividades usuais mais controladas. Frequentemente, sentem-se melhores após as atividades. Atividades mais vigorosas ou descontroladas são desaconselháveis. Não há motivos para evitar completamente o alongamento muscular durante um episódio agudo, desde que não cause dor mais severa.

A aplicação local de calor ou gelo pode reduzir temporariamente a dor e o calor pode facilitar o alongamento, mas não necessariamente acelerar a recuperação a longo prazo.

Analgésicos e anti-inflamatórios (AINEs) são conhecidos por reduzir efetivamente a dor lombar aguda, bem como inibir o processo inflamatório descrito anteriormente. Devem ser usados ​​apenas conforme prescrição médica. Os AINEs estão associados a possíveis efeitos colaterais. O risco de tais efeitos aumenta quando usado por períodos prolongados. Os efeitos colaterais mais frequentes incluem sangramento excessivo, irritação do estômago, problemas renais e hepáticos.

Relaxantes musculares são medicamentos que, na verdade, não relaxam o músculo. No entanto, eles acalmam ou sedam o sistema nervoso central e podem ser úteis para facilitar o sono. Consequentemente, reduzem a tensão emocional ou muscular contributiva no quadro de dor severa. Esses medicamentos devem ser usados ​​sob prescrição médica.

Opióides são fortes analgésicos e reduzem os sintomas de dor lombar aguda. Como os narcóticos são sedativos, eles podem ser úteis para facilitar o sono durante as primeiras noites de sintomas. O uso prolongado de narcóticos está associado a efeitos colaterais indesejáveis, incluindo dependência física, sedação, depressão, constipação, sensibilidade aumentada de fibras sensíveis à dor e interrupção do ciclo restaurador do sono. Opióides só devem ser usados ​​conforme prescrição e orientação médica.

Outros tratamentos


Modalidades de fisioterapia, como ultrassom, estimulação elétrica, tração, mobilização e manipulação quiroprática podem proporcionar alívio temporário. Por outro lado, não melhoram a recuperação a longo prazo caso não ocorra mudança de atitude dos pacientes. Geralmente a dor lombar aguda é autolimitada e, na maioria dos casos, quando a atividade física puder ser realizada, a terapia formal talvez não seja necessária.

Quando a dor é severa, a participação em atividades fica prejudicada. Ao mesmo tempo, o movimento fica significativamente restringido. Dessa forma, um fisioterapeuta pode fornecer educação e conselhos adicionais sobre estratégias para restaurar o movimento, retomar as atividades, prevenir a perda do condicionamento e alcançar uma posição de conforto durante o sono.

Para aqueles com dor lombar persistente ou recorrente, uma avaliação médica é indicada. Do mesmo modo, um programa de exercícios supervisionados por fisioterapeuta também é aconselhável. O objetivo sempre deve ser para o desenvolvimento e a transição para um regime de exercícios domiciliares totalmente independente.

Enfim, deve-se enfatizar a otimização da força muscular do tronco (core), da flexibilidade geral e da resistência cardiovascular.

Infiltrações Espinhais


As infiltrações espinhais geralmente não são consideradas como um tratamento inicial adequado para dor lombar aguda e autolimitada. Existem várias opções de infiltração para dor persistente ou recorrente, incluindo injeções de esteróides epidurais, articulações facetárias  ou pontos gatilhos. De acordo com o quadro clínico, podem ser determinados os locais e as melhores técnicas.

Quando há dúvida sobre a causa da dor, as infiltrações têm papel importante no diagnóstico, com técnicas de bloqueios temporários. A partir do diagnóstico mais preciso, se pode planejar um tratamento mais eficaz e menos agressivo.

Como isso é diagnosticado?


À princípio, exames diagnósticos não são necessários. Imagens de raios-X (RX) ou outros exames de diagnóstico podem ser recomendados em casos de dor associada a traumatismos graves, história de câncer, febre, diabetes, outras patologias médicas, uso ilícito de drogas endovenosas, idade acima de 50 anos, disfunção intestinal ou vesical, dor noturna ou osteoporose. Podem ser obtidos outros tipos de exames de imagem. Estes incluem cintilografia óssea, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RNM). A escolha do exame depende da condição médica que seu médico suspeita. Contudo, chega-se ao diagnóstico através da combinação de história clínica, exame físico e exames diagnósticos, não apenas em imagens..

Prognóstico


A dor lombar aguda pode ser uma experiência muito dolorosa, mas, felizmente, muitas vezes resolve-se muito rapidamente. Há situações em que a dor não melhora de forma satisfatória, o que merece um atendimento médico mais abrangente. Uma variedade de testes diagnósticos e opções de tratamento estão disponíveis. O principal objetivo é resolver o episódio agudo o mais rápido possível. Secundariamente, devemos prevenir episódios futuros através de educação, exercício e condicionamento adequados.

NASS 150